Foco de Pestilência #017 Os Tambores da Umbanda (parte 1)

Capa-#17

Olá, crianças do Abismo! Está no ar o Foco de Pestilência #17!

Sincrética, revolucionária, afirmativa e mágica. A Umbanda pode ser considerada o sistema mágico 100% brasileiro.

Neste primeira parte do programa, Flavio Watson e Pêu Lamarão recebem os convidados Dr. Hightower, Sr. Wilson e Frau Schöntag para ouvir um pouco da história de resistência material e espiritual da prática da Umbanda!

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Vírgula Sonora: Liber AL II:63 “Thou art exhaust in the voluptuous fullness of the inspiration; the expiration is sweeter than death, more rapid and laughterful than a caress of Hell’s own worm.”

(Tradução: “Tu estás exausto na voluptuosa plenitude da inspiração; a expiração é mais doce do que a morte, mais rápida e risonha que uma carícia do próprio verme do Inferno.” – Trad. Arnaldo Lucchesi Cardoso e Jonatas Lacerda, Espaço Novo Aeon

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Créditos:
Edição: Levy Fernandes
Tema de Abertura: Egberto Pujol
Vírgula Sonora: Gravado por Lisa N.

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Referências:
Noriel Vilela – Eis o “Ôme”: Disco Completo
Foto de capa: Élcio Paraíso/Bendita

  • Leandro Prates

    Queridos, pestilentos.
    Bom dia, boa tarde e boa noite, como não sei em qual linha vocês giram, saúdo apenas como Laroyê Exu, Mojubá que numa tradução visceral seria algo como “Meus respeitos ao Mensageiro” afinal não é isto o foco de pestilência, um mensageiro, um menestrel ou quem sabe um poeta antigo levando a mensagem ou as mensagens ao mundo.
    Queridos colegas do universo, este programa é um oráculo de delfos, incita más não converte. Continuem assim, pois é como se velhos amigos bebessem ao meu lado em uma taverna qualquer. A propósito maravilhosa edição de áudio, com prímulas de humor muito bem dosadas, (ao estilo Joven Nerd) com fantásticas trilhas sonoras.
    Um abraço e meus mais sinceros desejos de muitas perguntas e duvidas a todos….

  • Dom

    Programa muito bom. Tive pouca experiência direta com cultos afrobrasileiros, mas eles sem dúvida nenhuma representam bem o nosso ambiente do imaginário mágico, são a espiritualidade tipicamente brasileira.

  • Victor g

    Sim, foi o cults of the shadow.
    Falando com o Michael Staley (responsável atual pela starfire publishing), o msm disse q alguns esquemas faziam sentido somente pro Grant. Q aquela ilustraçao q aparece no livro nao faz mto sentido para ele jaq ele nao conhece mto sobre os ritos afros

  • ToadConjure

    Muito bom o podcast. Seria ótimo um a respeito da Quimbanda Independente.

  • Albert Camus de Aquario

    Rapaiz…podcast de magia sério sem egoholics, satanagens de Orkut e panelinhas de um maluco aí

    CEIS TAO DE PARABAINS HEIN !

  • JoséR

    Ótimo episódio, gostei muito das observações dos participantes sobre o assunto, principalmente os da Frau. Gostaria de fazer somente um adendo sobre a questão da ancestralidade dentro dos cultos africanos:

    De fato, dentro da Umbanda nas concepções e modificações que ela passou ao longo desses anos, não existe uma ligação espiritual consanguínea entre guias e consulentes, até mesmo dentro do próprio Candomblé em um momento mais recente, porém, a questão da linhagem ancestral era muito forte e ponto principal no culto dos orixás na costa ocidental africana.

    Os orixás são sim arquétipos das várias emanações, mas ao mesmo tempo eles representavam o ancestral mitificado de cada aldeia, sendo que cada aldeia tinha seu Oxóssi (caçador) ou Ossain (curandeiro) particular, representando portanto um ancestral comum que foi divinizado e era celebrado durante os rituais, onde se agradecia e pedia ajuda para o continuidade da vida em tal lugar. Essa ligação da divindade com o ponto físico é tão forte que podemos observar que o culto é realizado ao longo de uma pilastra que representa um axis-mundis. O que aconteceu é que justamente isso se perde ao longo do tempo com o processo de escravidão, pois não se tinha estava mais no seu local de origem e muitas aldeias eram separadas para não facilitar motins e revoltas.

    Para continuar o culto então, ao longo do tempo dentro dos candomblés (ou xangôs) foi-se delimitando um panteão mais ou menos comum para ser feito os rituais, perdendo um pouco dessa característica ancestral. Remetendo a essa questão ancestral, fico com esse excelente trecho do livro “Lendas Africanas do Orixás”:

    Um babalaô me contou:
    “Antigamente, os orixás eram homens.
    Homens que se tomaram orixás por causa de seus poderes.
    Homens que se tomaram orixás por causa de sua sabedoria.
    Eles eram respeitados por causa da sua força,
    Eles eram venerados por causa de suas virtudes.
    Nós adoramos sua memória e os altos feitos que realizaram.
    Foi assim que estes homens tomaram-se orixás.
    Os homens eram numerosos sobre a Terra.
    Antigamente, como hoje,
    Muitos deles não eram valentes nem sábios.
    A memória destes não se perpetuou.
    Eles foram completamente esquecidos;
    Não se tomaram orixás.
    Em cada vila, um culto se estabeleceu
    Sobre a lembrança de um ancestral de prestígio
    E lendas foram transmitidas de geração em geração,
    para render-lhes homenagem”.